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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Entrevista a Passos Coelho

O Primeiro-ministro concedeu hoje a sua primeira entrevista, enquanto tal, ao 1º canal da televisão pública. Mostrou-se determinado, inteligente e capaz. Pontos fortes foram, sem dúvida, a condenação expressa de Alberto João Jardim e o anúncio de que não participaria na campanha; a determinação com que afirmou que vamos cumprir com as reformas acordadas com a troika e distanciarmo-nos da Grécia e finalmente o anuncio do abandono do TGV! A substituição desta ligação por uma de elevada prestação, mais barata, sustentável e, muito importante, com uma componente de mercadorias é uma boa noticia e é óbvio! Espera-se que aproveitando os fundos comunitários para projetos transfronteiriços, possa avançar a eletrificação da linha de comboio Porto-Galiza e a ligação Porto-Salamanca, duas ligações essenciais, de grande utilidade e imcomparavelmente mais baratas do que qualquer aventura a Alta Velocidade!

domingo, 7 de novembro de 2010

O acordo no Orçamento

O PSD, revelando uma enorme paciência, resolveu acordar com o PS algumas (pequenas) alterações à proposta de Orçamento para 2011, de forma a poder viabilizá-lo. Fez muito bem.
Há quem seja da opinião de que o PSD devia ter viabilizado o Orçamento sem qualquer negociação, eu sou uma dessas pessoas. No entanto, o acordo atingido teve benefícios reais para muitos portugueses e para o País. Fazendo uma análise fria ao acordo, só possível passado algum tempo sobre o mesmo, constato dois erros.
Limitar as deduções fiscais apenas nos dois últimos escalões do IRS é injusto. Os limites às deduções deviam ser aplicados aos 4 últimos escalões. Não se percebe como sujeitos com rendimentos superiores a 42.259 euros não tenham limite às deduções que podem fazer com despesas de educação, saúde e habitação. Não se percebe também como é que no último escalão, rendimentos superiores a 153.300 euros, é possível fazer deduções. No último escalão não deveria ser possível fazer deduções à colecta. Além de ser mais justo, a poupança com esta alteração permitiria manter o bónus de 25% no abono às famílias do 1º escalão que com esta proposta de Orçamento desaparece.
O segundo erro é a indefinição relativa às Parcerias Público-Privadas. Vão ser reavaliadas...muito bem. A dúvida que fica, após ouvir o Primeiro-ministro, é saber se vai ser feita uma reavaliação ou vai ser confirmada a avaliação feita anteriormente...Dependerá da qualidade e independência de quem for escolhido para fazer a tal reavaliação, sendo que nem todas as PPP's são negativas. A construção de hospitais, por exemplo, merece o esforço que possa ter que se fazer. Já a construção do TGV, um projecto ruinoso quer na construção, quer na exploração, não merece esforço nenhum!


P.S. Teixeira dos Santos revela-se uma desilusão, dia após dia...Não é que se propunha aumentar impostos para compensar a proposta do PSD de redução de ... impostos! Ridículo! Teve que ser o PS(!) a travar o seu Ministro da Finanças para que se possa verificar uma das grandes vantagens do acordo com o PSD, a redução da despesa orçamental em 500 milhões de euros! Estas atitudes somadas às erratas de 800 milhões de euros ao Orçamento e à execução orçamental de 2010 explicam bem a total falta de credibilidade do governo junto dos mercados, esses malvados que nos emprestam dinheiro ano após ano para que possamos gastar todos os anos mais do que produzimos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Dualidade de critérios

O mesmo governo que avança com projectos na casa dos milhares de milhões de euros, como a linha de TGV Lisboa-Madrid e a correspondente 3ª travessia sobre o Tejo, está agora a reponderar a segunda fase do metro do Porto, um investimento que não chega a metade desse valor! Com o requinte do concurso da 3ª travessia ser anulado para futuramente incorporar as verbas comunitárias destinadas à linha Lisboa-Porto-Vigo, desviando-as do seu destino, a região Norte! Prefere o governo Sócrates persistir num investimento gigantesco de necessidade duvidosa que terá poucos utilizadores em vez de um investimento fundamental e estruturante para as deslocações de milhares de Portugueses...sim, porque embora o governo muitas vezes se esqueça, os que habitam a norte são tão portugueses como os que habitam a capital!
Também nas SCUTS há portugueses de 1ª e de 2ª! Enquanto a Norte, numa região com um forte índice de desemprego e a sofrer como nenhuma outra a crise que estamos a viver, o governo se prepara para taxar as SCUTS, no Algarve, numa região bem mais rica, as populações locais e visitantes continuarão a beneficiar da SCUT. Qual é o critério que justifica tal discriminação?! A EN 125 não é uma alternativa?! Mas qual é a auto-estrada neste país que tem uma alternativa?! Porto-Lisboa? Aveiro-Vilar Formoso? Lisboa-Algarve? Nenhuma auto-estrada tem uma alternativa aceitável, pois nesse caso seria discutível a existência da própria auto-estrada...

P.S. o Ministro António Mendonça com as cambalhotas que foi obrigado a dar nestes últimos dias já não se livra do rídiculo sempre que aparece a garantir qualquer coisa.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Cambalhotas II

Foto: Tiago Miranda in Expresso

Depois de Ricardo Espirito Santo, ontem foi a vez de Fernando Ulrich dar uma verdadeira pirueta, quem sabe se um salto mortal! O Presidente do BPI veio dizer que Portugal não tem dinheiro nem capacidade de endividamento para as grandes obras públicas que pretende realizar. Nada de novo, não fosse o Presidente do BPI, tal como o Presidente do BES, grande defensor da realização do TGV, do Aeroporto e da 3ª Travessia sobre o Tejo! E não há muito tempo...ainda há poucos meses vimos os dois banqueiros criticar quem defendia não ser possível avançar com tais investimentos megalómanos! Investimentos que têm dois beneficiários óbvios, as construtoras e os bancos!


P.S. Não será possível uma solução aceitável aproveitando a ponte 25 de Abril para a travessia do TGV? Não sendo, não será mais lógico que a 3ª travessia seja apenas ferroviária e não ferroviária e rodoviária? Questões que se devem colocar, necessariamente, a responsáveis por países que não são ricos nem pretendem fazer de conta que são....

domingo, 16 de maio de 2010

O lento e doloroso acordar...

Depois de 4 dias de espiritualidade em que nada que não envolvesse o Papa Bento XVI era merecedor de atenção por parte dos meios de comunicação social, nos habituais exageros mediáticos a que estes nos/se habituaram, o povo Português começa a aperceber-se da verdadeira situação do país!
De nada valeram os avisos, no devido tempo, dos "bota-abaixistas" Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva, bem como, um pouco mais tarde, da generalidade dos economistas com um mínimo de independência em relação ao governo. O povo foi vivendo no mundo virtual criado pelo Primeiro-ministro, renovou-lhe a sua confiança e continuou a viver no país dos TGV's, da 3ª autoestrada Porto-Lisboa, da 3ª travessia sobre o Tejo, do novo aeroporto, dos subsídios para todos os gostos, etc...
Pois bem, mais cedo ou mais tarde todos teriam que acordar para a realidade...Infelizmente foi mais tarde do que mais cedo e como tal bem mais doloroso! Foi preciso mais um assalto por parte do Estado ao bolso dos contribuintes para os Portugueses começarem a perceber a mentira que andaram a viver nos últimos cinco anos!
A dúvida, agora, é perceber até quando é que a culpa vai ser de tudo e de todos menos de Sócrates e do seu governo...


P.S. Pedro Passos Coelho e o PSD fizeram a única coisa possível para poupar o país a mais consequências nefastas da irresponsabilidade de José Sócrates e do PS.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Com a verdade me enganas...


José Sócrates afirmou hoje que as grandes obras públicas ainda não adjudicadas serão objecto de uma reavaliação. Ao mesmo tempo, o Ministro das Obras Públicas anuncia a contratualização da linha de TGV Madrid-Lisboa para amanhã! Será que Sócrates irá proceder à reavaliação das grandes obras públicas quando estas estiverem todas adjudicadas?! Porque depois de contratualizar o TGV, a 3ª ponte sobre o Tejo e o aeroporto, não vale a pena reavaliar mais nada, pois estes são os grandes elefantes brancos que todos contestam, e não as obras públicas em geral, como faz muitas vezes crer o nosso Primeiro-ministro!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Novo-riquismo II

Ficamos a saber no passado fim-de-semana (jornal Público) que o investimento que a REFER pretendia fazer este ano na rede ferroviária nacional está em causa devido à politica de contenção de investimento público. O mesmo governo que se prepara para assinar o contrato de construção e concessão da linha de TGV no valor de vários milhares de milhões de euros, põe em causa um investimento fundamental para modernizar a nossa linha de caminho de ferro convencional. Ficam em causa projectos cruciais como a prossecução da modernização da linha do Norte, o que fará com que o Alfa Pendular continue a portar-se como um comboio inter-cidades; fica em causa a linha do Douro, o que fará com que continue a demorar uma eternidade a viagem do Porto para a Régua; ficam em causa as reconstruções das linhas do Tâmega e Corgo que foram encerradas o ano passado por razões de segurança e nunca mais viram arrancar a sua reabilitação, então prometida pelo governo; ficam em causa a modernização das linhas do Oeste e Cascais. Investimentos na ordem dos 500 milhões de euros, em linhas prioritárias para o país real e bem mais baratos que os biliões que se prevêem gastar numa linha de TGV que será para meia dúzia de privilegiados...é assim que nos governa o Partido Socialista. O mais extraordinário é que conta com o apoio da esquerda parlamentar (PCP e BE) que quando colocados perante questões concretas metem na gaveta a habitual retórica contra os negócios do Estado com os bancos e os grandes grupos económicos. É mais fácil quando se trata só de retórica, o problema é quando são colocados perante questões concretas da governação....aí os bancos, os Mellos, a Mota-Engil já não são vitimas da habitual demagogia da extrema esquerda parlamentar

sábado, 1 de maio de 2010

Óbvio

Questionado sobre se é oportuno adiar obras públicas, Cavaco Silva enunciou um “princípio geral”.

“Eu entendo que faz sentido reponderar todos aqueles investimentos, públicos ou privados, na área dos bens não transaccionáveis, que tenham uma grande componente importada, isto é, que utilizem pouca produção nacional e que sejam capital intensivo, ou seja, que utilizem pouca mão-de-obra portuguesa”, sustentou.

Espero que com a legitimidade que tem, quer pelo voto dos portugueses quer pela sua reconhecida competência e conhecimento, o Presidente faça TUDO o que estiver ao seu alcance para impedir o (des)governo socialista!

segunda-feira, 8 de março de 2010

PEC

Numa primeira análise ao Pacto de Estabilidade e Crescimento parece-me que existem 3 factos dignos de registo, para além das medidas que já se esperavam no que diz respeito à remuneração dos funcionários públicos e que seriam sempre obrigatórias, tal o peso desta na despesa pública.
Começo pelo TGV. O adiamento decidido significa, na minha opinião, o fim das linhas de TGV Porto-Lisboa e Porto-Vigo, até porque "atira" o inicio das obras para além de 2013 impossibilitando o recurso aos fundos comunitários. Não me parece errado. Num país com as enormes dificuldades que temos e que continuaremos a ter, investir uma quantia imensa de dinheiro em projectos que seriam certamente deficitários, seria um erro imperdoável. Para isso, já basta a linha Lisboa-Madrid. A ligação Porto-Lisboa terá que, obrigatoriamente, ser optimizada de maneira a reduzir o tempo de viagem do Alfa-pendular. É uma questão de organizarem os diferentes comboios de forma a se poder tirar partido da velocidade dos Alfas.
Relativamente às SCUTS, há uma decisão que não se aceita. Porque razão começa a ser portajada a IC28 (Porto-Viana) e não, pelo menos, a Via do Infante?! A inexistência de alternativas é comum às duas e o rendimento da população é bastante maior no Algarve. Com a agravante de no IC28 não se verificar trânsito só em Agosto! Inaceitável descriminação! Todas as SCUTS deviam ser pagas, excluindo as que se localizam no interior!
Finalmente os benefícios fiscais. Não se percebe porque não acabam para os rendimentos mais elevados. Porque razão têm os dois mais altos escalões do IRS direito a qualquer tipo de benefícios fiscais?!



P.S. Penso que a reacção critica de Rui Rio ao fim das linhas de TGV Porto-Lisboa e Porto-Vigo se explica pela injustiça relativa das opções que persistem em prejudicar o país em beneficio da região de Lisboa, e não pela bondade da decisão em si. De outra forma não se entenderia.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cheira a Mofo!

O Bastonário da Ordem dos Engenheiros veio apresentar um esclarecedor, e ainda assim bafiento, argumento em defesa do TGV. Segundo Fernando Santos, já em 1856 o Conselho Superior de Obras Públicas defendia que era urgente criar ligações ferroviárias a Espanha e à Europa...em 1856!? A principio pensei que era um erro e o Bastonário queria referir outra data, mas não, a seguir o Bastonário reforça o seu argumento fazendo as contas aos 150 anos que entretanto passaram...(que por acaso são 153!) Portanto, de acordo com o Bastonário da Ordem dos Engenheiros, as soluções preconizadas à 153 anos para o País, mantêm-se inalteradas um século e meio depois.... Extraordinário....É nestas alturas que eu fico feliz por não estar inscrito na Ordem!