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terça-feira, 4 de março de 2014
Amadorismo...
sábado, 3 de novembro de 2012
Um "bluff" chamado Obama
O alinhamento acrítico da comunicação social e da opinião publicada com Barak Obama esconde aquilo que deveria ser a evidência das promessas não cumpridas pelo Presidente dos EUA! Só para assinalar os falhanços mais importantes e que tanto fizeram suspirar os Europeus, 4 anos depois mantém-se a guerra no Afeganistão, mantém-se a prisão de Guantanamo e continua por assinar o Compromisso de Quioto! Mas para os Americanos as noticias não são melhores....o desemprego mantém-se em níveis elevados para o que é hábito no País, a regulação prometida para evitar outro descalabro financeiro da banca ficou pelo caminho e a dependência financeira da China atinge valores inimagináveis! Para terminar, o último bluff mediático foi exposto pelo furacão Sandy. A comunicação social europeia passa a vida a alardear o comportamento exemplar do Presidente, mostrando sempre as mesmas imagens ridículas do Presidente em manga de camisa ou em blusão de cabedal com as suas corridinhas a sair do avião. Basta ver qualquer noticiário dos EUA para perceber as enormes dificuldades por que estão a passar os milhões de habitantes atingidos pelo furacão, que passados 5 dias ainda não possuem eletricidade, combustíveis e ainda não encontraram os seus mortos.... A ideia peregrina de manter a organização da maratona de NY depois de uma calamidade como a que assolou a cidade é bem a prova de que a politica democrata vive do espetáculo e pouco mais!
P.S: não me interpretem mal! Não defendo o voto no partido Republicano. Apesar de Mitt Romney ser um Republicano moderado, padece do mal mais grave que atinge todos os Republicanos e que é a ignorância sobre o mundo para além dos EUA. Na terça-feira desejo que Mitt Romney vença as eleições e que Barak Obama continue Presidente e depois quero ver os comentários dos inteligentes da esquerda nacional ao sistema eleitoral dos EUA.....
P.S: não me interpretem mal! Não defendo o voto no partido Republicano. Apesar de Mitt Romney ser um Republicano moderado, padece do mal mais grave que atinge todos os Republicanos e que é a ignorância sobre o mundo para além dos EUA. Na terça-feira desejo que Mitt Romney vença as eleições e que Barak Obama continue Presidente e depois quero ver os comentários dos inteligentes da esquerda nacional ao sistema eleitoral dos EUA.....
domingo, 25 de outubro de 2009
O Hipnotizador
Publico aqui, na integra, artigo de Boaventura Sousa Santos, um insuspeito homem de esquerda, e que desmonta o fenómeno Barak Obama, reduzindo-o à sua ínfima realidade!
"O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama
A hipnose é um estado psíquico, induzido artificialmente, em que o hipnotizado fica sujeito à influência do hipnotizador. O estado de concentração hipnótica filtra a informação de modo a que ela coincida com as directivas recebidas. Passado o seu efeito, o contacto com a realidade pode ser penoso. O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama (BO). A hipnose consiste numa mudança radical de percepção sobre o que se passa no mundo sem que na realidade haja razões para sustentar tal mudança.
A crise financeira global. Mudança: as medidas corajosas de BO para regular o sistema financeiro e assumir o controle de empresas importantes fez com que a crise fosse ultrapassada e a economia retomasse o seu curso. Realidade: BO injectou montantes astronómicos de dinheiro dos contribuintes nos bancos e empresas à beira do colapso sem assumir o controle da sua gestão; não introduziu até agora nenhuma regulação no sistema financeiro: prova disso é o regresso do capitalismo de casino à Wall Street com o banco Goldman Sachs a registar lucros fabulosos obtidos através dos mesmos processos especulativos que levaram à crise, enquanto o desemprego continua a aumentar e os americanos continuam a perder as suas casas por não poderem pagar as hipotecas.
O regresso do multilateralismo. Mudança: BO cortou com o unilateralismo de Bush e os tratados internacionais voltaram a ser respeitados. Realidade: as recentes negociações de Banguecoque, que deveriam levar ao reforço do Protocolo de Quioto sobre as mudanças climáticas, conduziram, por pressão dos EUA, ao resultado oposto, com a agravante de terem atenuado as responsabilidades globais dos países desenvolvidos; os EUA, que não assinaram a Declaração de Durban contra o racismo, de 2001, voltaram a retirar o seu apoio ao documento sobre a sua revisão, na reunião da ONU de Abril, em Genebra; os EUA desautorizaram o corajoso relatório do juiz Goldstone sobre os crimes de guerra cometidos por Israel e o Hamas durante a invasão israelita da faixa de Gaza, no Inverno de 2008, e pressionaram a Autoridade Palestiniana a fazer o mesmo.
O fim das guerras. Mudança: BO estendeu a mão da fraternidade ao mundo islâmico e vai pôr fim às guerras do Médio Oriente. Realidade: houve mudança de retórica, mas Guantánamo ainda não encerrou; os generais dizem que a ocupação do Iraque continuará por muitos anos; os camponeses afegãos continuam a ser mortos "por engano" e as mortes estendem-se já ao Paquistão, com consequências imprevisíveis.
As bases militares na Colômbia. Mudança: sem precedentes, BO criticou o golpe de Estado nas Honduras, o que dá garantias de que as sete bases militares a instalar na Colômbia são destinadas só à luta contra a droga. Realidade: BO criticou o golpe mas não lhe pôs termo nem retirou o seu embaixador; o alcance dos aviões a estacionar na Colômbia revelam que os verdadeiros objectivos das bases são: 1) mostrar ao Brasil que, como potência regional, não pode rivalizar com o EUA, 2) controlar o acesso aos recursos naturais da região, nomeadamente da Amazónia, 3) dissuadir os governos progressistas da região a terem veleidades socialistas, mesmo que democráticas.
Donde provém o poder hipnótico de BO? Da insidiosa presença do colonialismo na constituição político-cultural do mundo. O Presidente negro de tão importante país dá aos fautores históricos do racismo o conforto de poderem espiar sem esforço a sua culpa histórica, e dá às vítimas do racismo a ilusão credível de que o fim das suas humilhações está próximo.
E o que passará depois da hipnose? BO está a preparar-se para governar durante oito anos, fará algumas reformas que melhorarão a vida dos americanos, ainda que ficando muito aquém das promessas e sem nunca pôr em causa o Estado de mercado; evitará a todo custo "mexer" no conflito Israel/Palestina; manterá a América Latina sob apertado controle; agradará em tudo à China, tal o medo que ela deixe de financiar o american way of life."
Boaventura Sousa Santos, in "VISÃO"
"O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama
A hipnose é um estado psíquico, induzido artificialmente, em que o hipnotizado fica sujeito à influência do hipnotizador. O estado de concentração hipnótica filtra a informação de modo a que ela coincida com as directivas recebidas. Passado o seu efeito, o contacto com a realidade pode ser penoso. O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama (BO). A hipnose consiste numa mudança radical de percepção sobre o que se passa no mundo sem que na realidade haja razões para sustentar tal mudança.
A crise financeira global. Mudança: as medidas corajosas de BO para regular o sistema financeiro e assumir o controle de empresas importantes fez com que a crise fosse ultrapassada e a economia retomasse o seu curso. Realidade: BO injectou montantes astronómicos de dinheiro dos contribuintes nos bancos e empresas à beira do colapso sem assumir o controle da sua gestão; não introduziu até agora nenhuma regulação no sistema financeiro: prova disso é o regresso do capitalismo de casino à Wall Street com o banco Goldman Sachs a registar lucros fabulosos obtidos através dos mesmos processos especulativos que levaram à crise, enquanto o desemprego continua a aumentar e os americanos continuam a perder as suas casas por não poderem pagar as hipotecas.
O regresso do multilateralismo. Mudança: BO cortou com o unilateralismo de Bush e os tratados internacionais voltaram a ser respeitados. Realidade: as recentes negociações de Banguecoque, que deveriam levar ao reforço do Protocolo de Quioto sobre as mudanças climáticas, conduziram, por pressão dos EUA, ao resultado oposto, com a agravante de terem atenuado as responsabilidades globais dos países desenvolvidos; os EUA, que não assinaram a Declaração de Durban contra o racismo, de 2001, voltaram a retirar o seu apoio ao documento sobre a sua revisão, na reunião da ONU de Abril, em Genebra; os EUA desautorizaram o corajoso relatório do juiz Goldstone sobre os crimes de guerra cometidos por Israel e o Hamas durante a invasão israelita da faixa de Gaza, no Inverno de 2008, e pressionaram a Autoridade Palestiniana a fazer o mesmo.
O fim das guerras. Mudança: BO estendeu a mão da fraternidade ao mundo islâmico e vai pôr fim às guerras do Médio Oriente. Realidade: houve mudança de retórica, mas Guantánamo ainda não encerrou; os generais dizem que a ocupação do Iraque continuará por muitos anos; os camponeses afegãos continuam a ser mortos "por engano" e as mortes estendem-se já ao Paquistão, com consequências imprevisíveis.
As bases militares na Colômbia. Mudança: sem precedentes, BO criticou o golpe de Estado nas Honduras, o que dá garantias de que as sete bases militares a instalar na Colômbia são destinadas só à luta contra a droga. Realidade: BO criticou o golpe mas não lhe pôs termo nem retirou o seu embaixador; o alcance dos aviões a estacionar na Colômbia revelam que os verdadeiros objectivos das bases são: 1) mostrar ao Brasil que, como potência regional, não pode rivalizar com o EUA, 2) controlar o acesso aos recursos naturais da região, nomeadamente da Amazónia, 3) dissuadir os governos progressistas da região a terem veleidades socialistas, mesmo que democráticas.
Donde provém o poder hipnótico de BO? Da insidiosa presença do colonialismo na constituição político-cultural do mundo. O Presidente negro de tão importante país dá aos fautores históricos do racismo o conforto de poderem espiar sem esforço a sua culpa histórica, e dá às vítimas do racismo a ilusão credível de que o fim das suas humilhações está próximo.
E o que passará depois da hipnose? BO está a preparar-se para governar durante oito anos, fará algumas reformas que melhorarão a vida dos americanos, ainda que ficando muito aquém das promessas e sem nunca pôr em causa o Estado de mercado; evitará a todo custo "mexer" no conflito Israel/Palestina; manterá a América Latina sob apertado controle; agradará em tudo à China, tal o medo que ela deixe de financiar o american way of life."
Boaventura Sousa Santos, in "VISÃO"
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