Mostrar mensagens com a etiqueta Obama. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Obama. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 4 de março de 2014

Amadorismo...


A falta de visão estratégica que grassa por essa Europa e Estados Unidos é absolutamente lamentável e perigosa! Como é que não pensaram nas consequências de afastar da Rússia um dos seus aliados de sempre?! Será que não há uma cabeça pensante junto das diferentes lideranças ocidentais que fosse capaz de prever que a Rússia não assistiria, de braços cruzados, ao afastamento da sua zona de influência, de um dos seus vizinhos mais importantes?! A que propósito é que a Ucrânia deverá ser um país ocidental? Será que pensam que é possível ir isolando a Rússia aos poucos?! Não perceberão o perigo de tal opção? Depois dos países de leste que aderiram à UE, da Ucrânia, o que se segue? Pensar que é possível reduzir a influência de uma traumatizada ex-super-potência às suas fronteiras é não perceber nada do que é a Rússia e os Russos!

sábado, 3 de novembro de 2012

Um "bluff" chamado Obama

O alinhamento acrítico da comunicação social e da opinião publicada com Barak Obama esconde aquilo que deveria ser a evidência das promessas não cumpridas pelo Presidente dos EUA! Só para assinalar os falhanços mais importantes e que tanto fizeram suspirar os Europeus, 4 anos depois mantém-se a guerra no Afeganistão, mantém-se a prisão de Guantanamo e continua por assinar o Compromisso de Quioto! Mas para os Americanos as noticias não são melhores....o desemprego mantém-se em níveis elevados para o que é hábito no País, a regulação prometida para evitar outro descalabro financeiro da banca ficou pelo caminho e a dependência financeira da China atinge valores inimagináveis! Para terminar, o último bluff mediático foi exposto pelo furacão Sandy. A comunicação social europeia passa a vida a alardear o comportamento exemplar do Presidente, mostrando sempre as mesmas imagens ridículas do Presidente em manga de camisa ou em blusão de cabedal com as suas corridinhas a sair do avião. Basta ver qualquer noticiário dos EUA para perceber as enormes dificuldades por que estão a passar os milhões de habitantes atingidos pelo furacão, que passados 5 dias ainda não possuem eletricidade, combustíveis e ainda não encontraram os seus mortos.... A ideia peregrina de manter a organização da maratona de NY depois de uma calamidade como a que assolou a cidade é bem a prova de que a politica democrata vive do espetáculo e pouco mais!

P.S: não me interpretem mal! Não defendo o voto no partido Republicano. Apesar de Mitt Romney ser um Republicano moderado, padece do mal mais grave que atinge todos os Republicanos e que é a ignorância sobre o mundo para além dos EUA. Na terça-feira desejo que Mitt Romney vença as eleições e que Barak Obama continue Presidente e depois quero ver os comentários dos inteligentes da esquerda nacional ao sistema eleitoral dos EUA.....

domingo, 25 de outubro de 2009

O Hipnotizador

Publico aqui, na integra, artigo de Boaventura Sousa Santos, um insuspeito homem de esquerda, e que desmonta o fenómeno Barak Obama, reduzindo-o à sua ínfima realidade!


"O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama

A hipnose é um estado psíquico, induzido artificialmente, em que o hipnotizado fica sujeito à influência do hipnotizador. O estado de concentração hipnótica filtra a informação de modo a que ela coincida com as directivas recebidas. Passado o seu efeito, o contacto com a realidade pode ser penoso. O mundo (não todo, mas uma boa parte) vive hoje em estado de hipnose e o hipnotizador é Barack Obama (BO). A hipnose consiste numa mudança radical de percepção sobre o que se passa no mundo sem que na realidade haja razões para sustentar tal mudança.
A crise financeira global. Mudança: as medidas corajosas de BO para regular o sistema financeiro e assumir o controle de empresas importantes fez com que a crise fosse ultrapassada e a economia retomasse o seu curso. Realidade: BO injectou montantes astronómicos de dinheiro dos contribuintes nos bancos e empresas à beira do colapso sem assumir o controle da sua gestão; não introduziu até agora nenhuma regulação no sistema financeiro: prova disso é o regresso do capitalismo de casino à Wall Street com o banco Goldman Sachs a registar lucros fabulosos obtidos através dos mesmos processos especulativos que levaram à crise, enquanto o desemprego continua a aumentar e os americanos continuam a perder as suas casas por não poderem pagar as hipotecas.
O regresso do multilateralismo. Mudança: BO cortou com o unilateralismo de Bush e os tratados internacionais voltaram a ser respeitados. Realidade: as recentes negociações de Banguecoque, que deveriam levar ao reforço do Protocolo de Quioto sobre as mudanças climáticas, conduziram, por pressão dos EUA, ao resultado oposto, com a agravante de terem atenuado as responsabilidades globais dos países desenvolvidos; os EUA, que não assinaram a Declaração de Durban contra o racismo, de 2001, voltaram a retirar o seu apoio ao documento sobre a sua revisão, na reunião da ONU de Abril, em Genebra; os EUA desautorizaram o corajoso relatório do juiz Goldstone sobre os crimes de guerra cometidos por Israel e o Hamas durante a invasão israelita da faixa de Gaza, no Inverno de 2008, e pressionaram a Autoridade Palestiniana a fazer o mesmo.
O fim das guerras. Mudança: BO estendeu a mão da fraternidade ao mundo islâmico e vai pôr fim às guerras do Médio Oriente. Realidade: houve mudança de retórica, mas Guantánamo ainda não encerrou; os generais dizem que a ocupação do Iraque continuará por muitos anos; os camponeses afegãos continuam a ser mortos "por engano" e as mortes estendem-se já ao Paquistão, com consequências imprevisíveis.
As bases militares na Colômbia. Mudança: sem precedentes, BO criticou o golpe de Estado nas Honduras, o que dá garantias de que as sete bases militares a instalar na Colômbia são destinadas só à luta contra a droga. Realidade: BO criticou o golpe mas não lhe pôs termo nem retirou o seu embaixador; o alcance dos aviões a estacionar na Colômbia revelam que os verdadeiros objectivos das bases são: 1) mostrar ao Brasil que, como potência regional, não pode rivalizar com o EUA, 2) controlar o acesso aos recursos naturais da região, nomeadamente da Amazónia, 3) dissuadir os governos progressistas da região a terem veleidades socialistas, mesmo que democráticas.
Donde provém o poder hipnótico de BO? Da insidiosa presença do colonialismo na constituição político-cultural do mundo. O Presidente negro de tão importante país dá aos fautores históricos do racismo o conforto de poderem espiar sem esforço a sua culpa histórica, e dá às vítimas do racismo a ilusão credível de que o fim das suas humilhações está próximo.
E o que passará depois da hipnose? BO está a preparar-se para governar durante oito anos, fará algumas reformas que melhorarão a vida dos americanos, ainda que ficando muito aquém das promessas e sem nunca pôr em causa o Estado de mercado; evitará a todo custo "mexer" no conflito Israel/Palestina; manterá a América Latina sob apertado controle; agradará em tudo à China, tal o medo que ela deixe de financiar o american way of life."

Boaventura Sousa Santos, in "VISÃO"